No Congresso Escolar Office 2025 aconteceu um painel essencial sobre a revolução da inteligência artificial para papelarias. Camila Achutti, fundadora e CEO da Mastertech e uma das maiores especialistas em tecnologia do país, apresentou uma visão prática sobre como as papelarias podem se adaptar a essa transformação.
Com um empresariado majoritariamente tradicional, o setor enfrenta o desafio de equilibrar inovação e operação. Neste artigo, reunimos os principais pontos da palestra para ajudar lojistas e distribuidores a entenderem como a inteligência artificial para papelarias pode ser implementada de forma estratégica. Acompanhe a leitura!
Inteligência artificial no varejo
Camila Achutti foi direta ao explicar que a inteligência artificial para papelarias não substitui a capacidade humana. “Ela emula empatia, mas não sente. Não vai entender nuances de mercado como um lojista experiente”, afirmou. A IA, no entanto, já pode automatizar tarefas operacionais repetitivas, como organização de planilhas e gestão de estoque.
Um dos alertas mais importantes foi sobre como colaboradores e clientes já usam IA, independentemente das empresas. “Seu funcionário já tem ChatGPT no celular e possivelmente paga a versão Plus. Seus clientes em breve não comprarão materiais escolares diretamente ou serão agentes de IA para compras que farão isso por eles”, destacou Camila.
Como implementar IA em papelarias: passos práticos
A CEO da Mastertech recomendou uma abordagem progressiva para lojistas do setor. Ela delineou três níveis de aplicação da inteligência artificial que podem ser implementados conforme o nível de maturidade digital do negócio, sendo eles:
1. Nível operacional (começar imediatamente)
“Teste todas as ferramentas de IA disponíveis! Não existe monogamia nesse universo. O ChatGPT, o Claude, o Gemini – eles foram feitos para complementarem uns aos outros. Eu gero um conteúdo em um, peço para outro avaliar e para um terceiro criticar”, recomendou Achutti.
2. Nível tático (após organização de processos)
Antes de avançar para integrações mais complexas, a especialista recomenda verificar se a base está pronta: “Antes de implementar IA, pergunte-se: Os processos da sua empresa estão claros? Você já tem integração razoável com sua cadeia logística? Seus dados estão estruturados? Precisamos organizar essas bases fundamentais”.
3. Nível estratégico (futuro próximo)
No horizonte estão as abordagens “AI-first”, onde novos produtos e serviços são desenvolvidos já pensando na integração com inteligência artificial. Este é o futuro para o qual os varejistas de papelaria devem se preparar.
O que não deve ser automatizado?
Um alerta importante feito por Camila foi quanto ao uso seletivo da IA. “Nas áreas em que sua empresa se destaca, evite substituir por IA. A inteligência artificial tende a reduzir você à média, baseando-se em dados históricos. Use IA onde você não está performando bem, onde nem a média você consegue atingir, aí sim ela pode elevar o seu patamar”.
A especialista também abordou como a presença digital das papelarias precisará mudar: “Como aparecemos no ChatGPT? No Google sabíamos o caminho: pagar anúncios. Mas nessa ferramenta, trata-se de posicionamento, recorrência e conteúdo. Isso mudará completamente a lógica de marketing digital”.
A preparação para agentes de compra automatizados
A revolução mais imediata, segundo a profissional, virá dos agentes de compra automatizados. “Em apenas três a seis meses, a forma como compramos na internet mudará drasticamente. Os agentes de IA identificarão necessidades baseados no histórico do cliente e poderão fazer compras automaticamente”, alertou Camila.
Para varejistas de papelaria, isso significa que a estruturação de dados de produtos, preços e disponibilidade precisará ser feita o quanto antes, assegurando que os seus catálogos sejam encontrados e processados corretamente por esses agentes.
A mensagem final da especialista é clara: a adoção da IA no setor de papelaria não é opcional, no entanto o caminho para implementá-la precisa ser estratégico e muito bem estruturado. “Estamos vivendo um momento tão revolucionário quanto a criação da Internet. Esta tecnologia vai permear nossa vida e mudar nossas relações de forma muito mais profunda do que a internet fez”.