A Escolar Office Brasil, principal evento do setor de papelaria nas Américas, trouxe este ano um painel essencial sobre papelaria inclusiva, com a neuropsicopedagoga Renata Aguilar. A profissional revelou dados e estratégias práticas para os lojistas que desejam atender melhor os estudantes com deficiência.
Neste conteúdo, você confere os principais insights da palestra, mostrando como as pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença no acolhimento a crianças neurodivergentes e suas famílias. Acompanhe a leitura!
O mercado da papelaria inclusiva no Brasil
Renata Aguilar iniciou a sua participação com dados que surpreenderam a plateia: “Segundo o último censo do IBGE, existem 14,4 milhões de pessoas com deficiência matriculadas nas escolas brasileiras. Mas esse número pode ser maior, pois nem todos os transtornos do neurodesenvolvimento são contabilizados”.
A especialista destacou o crescimento expressivo de diagnósticos: “Em 2018, tínhamos uma criança autista para cada 200. Hoje são uma para cada 31. Será que estamos preparados para este mundo novo?”.
Produtos que fazem a diferença
Durante a palestra, Renata apresentou diversos materiais escolares adaptados que podem transformar a experiência de aprendizagem, sendo os principais:
- Cadernos com pautas ampliadas para crianças com dificuldades motoras;
- Lápis triangulares mais grossos para quem tem hipotonia muscular (comum na síndrome de Down);
- Réguas com números em alto relevo para deficientes visuais;
- Gizes de cera com texturas especiais para estimulação sensorial.
“Foi desenvolvido um caderno com linhas maiores. Será que isso chega às escolas? Está na papelaria, mas os professores desconhecem”, lamentou Renata, destacando a importância da divulgação desses produtos.
A neuropsicopedagoga também chamou a atenção para produtos que consideram questões sensoriais, como aventais de manga comprida para atividades com tinta (evitando desconforto em crianças com hipersensibilidade), canetas silenciosas para autistas sensíveis a ruídos e materiais antialérgicos para crianças com sensibilidades cutâneas.
Atendimento humanizado como diferencial
Renata Aguilar compartilhou quatro dicas práticas para acessibilidade em papelaria:
- Ambiente organizado: “um lugar bagunçado pode desregular as crianças autistas. Já a previsibilidade, acalma”;
- Treinamento da equipe: “os funcionários precisam saber oferecer atendimento com paciência e personalizado”;
- Controle sensorial: “observar iluminação e volume da música ambiente faz diferença”;
- Experimentação: “permitir que a criança teste os materiais antes da compra”.
A especialista ressaltou um comportamento importante: “Aquela mãe de criança autista tem grupos de mães. Ela atravessa São Paulo para ir a uma papelaria específica porque lá é acolhedora, e depois indica para outras”. Essa rede de indicações representa fidelização e diferenciação no mercado. “Não só em materiais, mas em acolhimento e empatia”, completou ela.
Seja a papelaria que faz diferença
Esta palestra na Escolar Office Brasil 2025 deixou bem claro que a papelaria inclusiva vai além de produtos, é sobre criar experiências acolhedoras para todos os públicos. Como resumiu Renata Aguilar, citando o psicoterapeuta suíço Carl Jung: “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”.