A programação da Escolar Office Brasil 2025 trouxe um debate estratégico sobre os impactos da proibição de celulares nas escolas no mercado de materiais escolares. Com a mediação da jornalista Fernanda Stica, o painel reuniu André Stábile (Especialista em Educação Pública), Cláudia Romão (Consultora Educacional) e Juliana Batista (Diretora Comercial da Livraria Pedagógica).
A nova legislação, em vigor desde o início do ano letivo de 2025, está mudando as dinâmicas educacionais e abrindo caminho para a revalorização dos materiais escolares analógicos. Para o setor de papelarias, esse movimento representa uma janela de oportunidades única. Acompanhe os principais insights deste painel!
O impacto educacional da proibição de celulares
A proibição de celulares nas escolas vai muito além de uma simples medida disciplinar. André alertou sobre os graves impactos do uso excessivo de telas: “Essa geração é a primeira com evidências de diminuição do córtex pré-frontal pelo uso excessivo de dispositivos eletrônicos. Os efeitos incluem queda na aprendizagem, aumento de ansiedade e dificuldades de socialização”.
Cláudia Romão destacou o papel fundamental dos materiais físicos no desenvolvimento infantil: “O pensamento também se constrói pelas mãos. O uso do analógico não é retrocesso, é uma ferramenta essencial para desenvolver coordenação motora, organização espacial e gestão de tempo”. Estudos neurocientíficos comprovam que atividades como escrever à mão ativam áreas do cérebro relacionadas à memória e criatividade de forma mais intensa do que o digitar em telas.
Novas oportunidades para o varejo papeleiro
Este movimento está criando um cenário favorável para as papelarias que souberem se adaptar. Juliana Batista compartilhou cases de como estabelecer uma parceria entre papelaria e escola que beneficie ambos os lados. “Produtos que unem o analógico ao digital, como cadernos com QR codes para atividades complementares, estão em alta. Precisamos mostrar às escolas como esses materiais podem potencializar a aprendizagem”.
Uma ótima estratégia tem sido oferecer workshops para professores, demonstrando como utilizar materiais criativos em sala de aula. Outra abordagem que vem dando resultados é a criação de kits temáticos por faixa etária, como o “Kit Concentração” com giz de cera grossos e cadernos de caligrafia. As vitrines educativas, que destacam os produtos com benefícios pedagógicos comprovados, também têm se mostrado eficientes para atrair escolas e pais.
Preparando-se para a Volta às Aulas 2026
André Stábile fez um alerta importante para os lojistas: “As escolas públicas representam dois terços do mercado educacional brasileiro. Quem quiser escalar seu negócio precisa entender as dinâmicas das compras governamentais”. Ele trouxe a importância de acompanhar editais e construir relacionamentos com secretarias de educação.
Cláudia Romão reforçou o papel estratégico das papelarias: “Vocês não vendem simples produtos, mas ferramentas de desenvolvimento cognitivo infantil. Essa mensagem precisa estar clara na comunicação com escolas e pais”. Ela sugeriu que as lojas criem espaços de experiência onde os clientes possam interagir com os materiais, como mesas de demonstração com cadernos sensoriais.
Para se preparar para essa nova realidade, os especialistas recomendam que as papelarias invistam no treinamento de suas equipes, capacitando os vendedores para explicar os benefícios pedagógicos de cada produto. A criação de materiais informativos para escolas e pais, destacando como cada item contribui para o desenvolvimento infantil, também pode ser um diferencial competitivo importante.