A Escolar Office 2025 reuniu em um painel estratégico especialistas para conversar sobre as tendências do mercado de papelaria para 2026. Com mediação de Rosangela Feitosa, editora da Revista da Papelaria, o debate contou com Guilherme Catta-Preta (ABFIAE), Sergio Cirne (ADISPA) e Vitor Nestor Haubert (Rede Paper), que analisaram a recuperação do setor, inovações e políticas como o cartão material escolar.
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Setor em recuperação: dados e perspectivas para 2025 e 2026
Os números apresentados durante o painel confirmam o vigoroso processo de recuperação do mercado de papelaria brasileiro. Sergio Cirne, presidente da ADISPA, afirmou: “Esse ano foi nosso primeiro Volta às Aulas com tranquilidade após dois anos e meio de escolas fechadas”. Essa retomada se reflete em um crescimento médio de 10 a 15% nas vendas em 2025, com exceção de regiões afetadas por eventos climáticos extremos.
Entre as tendências do mercado de papelaria 2026 que mais chamaram atenção está o fenômeno dos livros para colorir adultos e materiais artísticos correlatos, que criaram uma nova dinâmica de consumo.
Outra mudança significativa foi observada no comportamento do consumidor infantil, com crianças cada vez mais precoces na escolha de seus materiais escolares. Cirne complementou com uma visão otimista: “Vivemos num país pobre, mas temos o Volta às Aulas mais rico do mundo em variedade e qualidade”.
Associativismo como estratégia de sobrevivência
Vitor Haubert, representando a Rede Paper, trouxe exemplos de como o associativismo do varejo de papelaria está transformando o cenário competitivo. Com 26 associados e 40 lojas no Rio Grande do Sul, a rede demonstrou como a união faz a força no varejo atual. “Na rede, diluímos os custos como agências de marketing e desenvolvemos as marcas próprias, nosso papel A4 e cadernos já são realidade”, explicou ele.
A estratégia da Rede Paper inclui a realização de 15 campanhas anuais conjuntas, a operação de uma central de distribuição compartilhada e um intenso programa de troca de conhecimentos entre varejistas. Esse modelo tem se mostrado particularmente eficaz para pequenos e médios lojistas enfrentarem os desafios do mercado atual.
Inovação e políticas públicas: cartão material escolar
O cartão material escolar surgiu como um dos temas mais relevantes do painel. Guilherme Catta-Preta, da ABFIAE, apresentou alguns dados sobre o impacto dessa política pública: “Onde implementado, o setor multiplicou vendas por 5x. Os Municípios arrecadam mais, geram empregos e os alunos ganham poder de escolha”.
Em cidades pequenas, o varejo local registrou crescimentos consideráveis nas vendas, enquanto a satisfação dos alunos com a possibilidade de personalizar os seus materiais também aumentou bastante. Catta-Preta foi categórico: “No kit tradicional não há espaço para diferenciação. Hoje, todos querem produtos únicos”.
Desafios: concorrência asiática e e-commerce
Apesar do cenário positivo, os especialistas alertaram para alguns desafios. Sergio Cirne ressaltou a pressão das importações asiáticas: “Dominam manufatura com preços baixos e novidades constantes”. Outro ponto crítico é a concorrência desleal no e-commerce, com problemas recorrentes de certificações INMETRO e fiscalização inadequada.
Vitor Haubert complementou com a perspectiva do varejo físico: “As nossas lojas seguem rigorosos padrões de qualidade, mas competir com marketplaces que ignoram regulamentações torna-se cada vez mais difícil”. Esse cenário exige atenção constante dos varejistas e maior articulação com órgãos reguladores.